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Trânsito: Negligência, imprudência, imperícia ou insensatez?

Os comportamentos são construídos com base no conhecimento, valores e experiências sociais de forma que podem ou não ser aprendidos ou manifestados de maneira espontânea, dentro de um processo de socialização, estruturação da personalidade e do sistema cognitivo – o conjunto desses fatores compõe o comportamento no trânsito.

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Os estudos sobre acidentes de trânsito no Brasil são escassos quando diz respeito ao comportamento do condutor. No entanto, é importante destacar o impacto de uma EMOÇÃO ao dirigir e os cuidados necessários ao conduzir um veículo quando se está emocionalmente instável.

Quando iniciamos o processo para obter o “direito de dirigir” somos orientados com vários conceitos e regras para nos tornarmos bons condutores e, consequentemente, o trânsito seja um ambiente menos hostil.

Algumas dessas compreensões são esclarecidas pela direção defensiva abordando que a maioria dos acidentes de trânsito acontecem por FALHA HUMANA relacionado a negligência com a falta de cuidado, a imperícia com a falta de habilidade ou imprudência com a falta de responsabilidade.

Esses conhecimentos da direção defensiva são explorados para aprimorar o aprendizado na tentativa de minimizar os riscos de acidentes no trânsito. Destacando essa ideia da direção defensiva podemos afirmar que trânsito é comportamento. Por isso, necessitamos de regras para o bom funcionamento em sociedade e em se tratando de trânsito também melhorar sua fluidez.

As emoções estão presentes em todas os momentos da vida e, quando elas estão em desequilíbrio, podem fazer com que o indivíduo se porte de maneira inadequada e tenha prejuízos em sua saúde e nos relacionamentos interpessoais, inclusive no trânsito.

Somos seres emocionais e, partindo desse princípio, muitas vezes usamos o trânsito como válvula de escape para nossas frustrações, inseguranças e insatisfações – “Por trás de cada volante existem histórias de vida desconhecidas, mas que dividem o mesmo espaço (Melisa Pereira).

No trânsito, o nosso cérebro é extremamente estimulado, sobretudo, visual e auditivamente. Isso, associado ao nosso estado emocional, culmina numa combinação que, de alguma forma, pode ser prejudicial ao convívio em sociedade.

No dia a dia nos deparamos com pessoas utilizando o trânsito de forma negativa. Algumas vezes retratadas em noticiários: alguém que bebeu e dirigiu; não usava o cinto de segurança; conduzia o veículo em excesso de velocidade; brigas no trânsito.

Por tudo isso entendemos que o trânsito vai além do “direito de ir e vir”. Podemos, certamente, acrescentar aos conceitos de direção defensiva a insensatez humana – um comportamento inconsequente.

Os DESAFIOS de combater a insensatez no trânsito envolvem mudança de comportamento que não se limitam a autopercepção dos condutores, como se veem inseridos nesse espaço social. Mas, também, há outros comportamentos de riscos que trazem perigo e estão conectados com as mais íntimas emoções humanas, sendo  inerente ao indivíduo quanto às necessidades de realização, associação, poder e exclusividade.

Outros fenômenos preservam a íntima relação entre comportamento e acidente, como a aparente invulnerabilidade que os condutores sentem dentro de seus veículos, como uma “armadura” que os protegem, se sentem seguros e confortáveis dentro de seus veículos.

A capa protetora dos veículos pode evitar a exposição de nossa identidade, mas não a do comportamento. Um comportamento inadequado pode ser alimentado pela impunidade, pois tem a certeza de que é seguro se comportar de forma inadequada no trânsito.

Por isso, é inevitável dizer que o trânsito está profundamente ligado a todos os nossos sentidos, sensações, sentimento e emoções aflorando questões íntimas dos condutores como a relação com o poder, a ansiedade, impulsividade, agressividade dentre vários momentos de desequilíbrio que reverbera desfavoravelmente nas atitudes e tomadas de decisões.

É a insensatez humana procurando meios e modos de satisfazer suas vontades particulares, sem se importar com as consequências para os outros.

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